Se eu fosse cientista político,
dividiria os candidatos a cargos eletivos em dois grupos: o dos que
disputam pra valer e o dos que pensam fazer a mesma coisa, mas estão só
se divertindo.
Ou não. Se eu fosse cientista político, faria
pesquisas criteriosas, sondaria sutilezas mil, transformaria os
resultados em gráficos e escreveria artigos para o Lattes, daria
entrevistas para a tevê.
Ainda bem
que não sou. Assim, fico com a reduzidíssima visão dos dois grupos e
lhes digo que a coisa mais fácil do mundo é distinguir a minoria seleta
de um da maioria serelepe de outro.
Como? Quem dá o palpite? Dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe três. Ninguém deu. Procurem o advogado - eis o segredo.
Quem disputa pra valer só vai à Justiça Eleitoral pra protocolar o pedido de registro da candidatura. Daí em diante, deixa tudo por conta do bem pago advogado e só volta pra receber o diploma.
O exato inverso se dá com a maioria serelepe de foliões de urna. O advogado do partido dá entrada no pedido e daí em diante é cada um por si no balcão e diploma coisa nenhuma para todos.
Sei que vocês estão pra dizer que distorço os fatos em prol da crônica ou até acham que é isso mesmo e por isso mesmo uma tristeza que assim seja. Mas eu lhes digo: ainda bem que é assim.
O advogado fala pelo direito. Em suas petições, em seus sustentamentos na tribuna, é a linguagem impessoal, calculada e reprodutível da ciência moderna que dá o ar da falta de graça.
Já os candidatos que falam por si são a espontaneidade em pessoa. Um comenta o preço da passagem, outro lamenta a saúde da esposa, outro mais simula discurso e ri da raiva que faz.
Anos atrás, atendi uma eterna candidata que não sabia sequer fazer um requerimento. Tive quase que ditar o texto à pobre mulher. Tudo encerrado, fiquei curioso e lhe disparei uma bala:
- Mas como a senhora pretende fazer leis se mal rabisca uma petição?
E ela, com a inocência que só os corações espontâneos usufruem:
- Jesus ajuda, meu filho.
Como ela, inúmeros outros que não farão mais que voltar para seus afazeres na primeira segunda de outubro depois de perder dinheiro, tempo, saúde e a secreta esperança de capitalizar votos.
Alguém dirá que a democracia agradece. E eu assinarei embaixo. Porque esses candidatos são muito mais que a frágil rotina das urnas, são o nosso encontro a cada dois anos com o espelho.
Como? Quem dá o palpite? Dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe três. Ninguém deu. Procurem o advogado - eis o segredo.
Quem disputa pra valer só vai à Justiça Eleitoral pra protocolar o pedido de registro da candidatura. Daí em diante, deixa tudo por conta do bem pago advogado e só volta pra receber o diploma.
O exato inverso se dá com a maioria serelepe de foliões de urna. O advogado do partido dá entrada no pedido e daí em diante é cada um por si no balcão e diploma coisa nenhuma para todos.
Sei que vocês estão pra dizer que distorço os fatos em prol da crônica ou até acham que é isso mesmo e por isso mesmo uma tristeza que assim seja. Mas eu lhes digo: ainda bem que é assim.
O advogado fala pelo direito. Em suas petições, em seus sustentamentos na tribuna, é a linguagem impessoal, calculada e reprodutível da ciência moderna que dá o ar da falta de graça.
Já os candidatos que falam por si são a espontaneidade em pessoa. Um comenta o preço da passagem, outro lamenta a saúde da esposa, outro mais simula discurso e ri da raiva que faz.
Anos atrás, atendi uma eterna candidata que não sabia sequer fazer um requerimento. Tive quase que ditar o texto à pobre mulher. Tudo encerrado, fiquei curioso e lhe disparei uma bala:
- Mas como a senhora pretende fazer leis se mal rabisca uma petição?
E ela, com a inocência que só os corações espontâneos usufruem:
- Jesus ajuda, meu filho.
Como ela, inúmeros outros que não farão mais que voltar para seus afazeres na primeira segunda de outubro depois de perder dinheiro, tempo, saúde e a secreta esperança de capitalizar votos.
Alguém dirá que a democracia agradece. E eu assinarei embaixo. Porque esses candidatos são muito mais que a frágil rotina das urnas, são o nosso encontro a cada dois anos com o espelho.
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