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A mão invisível


Ela está em todo canto deste planeta, é mais presente que o mais onipresente dos deuses, porque veste, alimenta e dá abrigo, ou nega tudo isso até mesmo a quem nela não crê.

É a Geni pelo avesso, que nos mima com facilidades na cama, no banho, na mesa ou na palma da mão, para depois ser insultada pelo que cobra em sangue e suor na canela.

Nem sempre esteve aí. Senhora recente de humanos, seus não mais que três séculos sequer fazem cócegas no rival que, mesmo milenar e surrado, continua dando (pro) gasto.

Aliás, embora vivam às turras no mercado, os dois se encontram o tempo todo no banco, fazem a corte e não é raro que se casem ora com pompa, ora com muita discrição.

Há quem se derreta por ela e pense que sem seus afagos e suas bofetadas, vamos parar na sarjeta. Mas há quem veja que, não fosse o rival, muita gente nem sairia da sarjeta.

Já tive cá uns encontros com ela. Em meu primeiro emprego, por exemplo, ela se negou a assinar carteira e descontar a Previdência. Eu aceitei, porque ela podia bem mais que eu.

Até que cansei, juntei os troços e me mudei pro rival. Mas o rival é um velhote sem graça nem viço, que não dá e até tira o tesão. Ainda volto pra ela, mas só se for pra botar banca.

Por esses dias, tivemos um encontro engraçado. Reparem mesmo. Seis meses atrás, eu ia passando no Mag Shopping quando ela me viu e disse: - Oi, tenho um plano pra você.

Caí no canto da sereia. Entrei, aceitei o plano, assinei uns papéis e, em menos de quinze minutos, já estava amarrado. Seis meses depois, o plano nem instalado foi. E ela, que diz?

Abre protocolos, faz promessas, pede paciência e, quando digo que quero sair do plano, ela cria todo tipo de dificuldade e alega que só por telefone e depois de um ano de servidão.

No fim, faz publicar matérias nos jornais pondo a culpa toda no rival. Coerente, muito coerente; afinal, ela é invisível e só aparece pra dizer que o mundo, o vasto mundo, é dos espertos.

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