Durante algum tempo, Júlio César foi minha preferida das cinco ou seis peças de Shakespeare que li ou vi encenadas.
Não por César, Antônio ou o povo romano, esses três fios explosivos por onde se tece a linha pública do drama.
Mas por Bruto, o jovem Bruto, em cuja mente Shakespeare mergulha para nos dar o que interessa: o conflito humano.
"O pobre Bruto em guerra contra si / esquece o amor devido aos outros homens" - eis a pedra que me parece angular.
Por descender de quem expulsou o último rei de Roma, Bruto deve liderar a conspiração para salvar a República.
Por amar César, entretanto, Bruto reluta em aceitar o encargo que os patrícios querem atar ao seu punho.
O personagem do século XVI faz a figura histórica do século I a.C. encarnar o dilema moderno da emoção contra o dever.
Vence o dever, mas não a República. E Bruto morre.
*
Mas eis que me chega às mãos o Romeu e Julieta traduzido por José Francisco Botelho para a Companhia das Letras.
Não sei se é o frescor da tradução, construindo um texto em que, espontaneamente, vão aflorando os jogos de linguagem.
Ou se é a novidade de conhecer o vigor de uma história que, até então, só me tinha chegado pela diluição que a fama enseja.
Ou ainda a gozação com Petrarca: um soneto é o que basta para Romeu esquecer Rosalina e amar Julieta para sempre.
Sei que a peça se tornou minha predileta da meia dúzia. E não é estranho que eu tenha chegado aqui vindo de Roma.
Romeu e Julieta têm para com suas famílias o dever de não amar um ao outro. São jovens como Bruto, mas não sabotam o que sentem.
Entregam-se ao ímpeto da paixão, que provoca mais mortes que amores dentro de poucas horas. Piores ou melhores que Bruto?
Vence a emoção, o casal morre. Mas as famílias selam a paz.
"O pobre Bruto em guerra contra si / esquece o amor devido aos outros homens" - eis a pedra que me parece angular.
Por descender de quem expulsou o último rei de Roma, Bruto deve liderar a conspiração para salvar a República.
Por amar César, entretanto, Bruto reluta em aceitar o encargo que os patrícios querem atar ao seu punho.
O personagem do século XVI faz a figura histórica do século I a.C. encarnar o dilema moderno da emoção contra o dever.
Vence o dever, mas não a República. E Bruto morre.
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Mas eis que me chega às mãos o Romeu e Julieta traduzido por José Francisco Botelho para a Companhia das Letras.
Não sei se é o frescor da tradução, construindo um texto em que, espontaneamente, vão aflorando os jogos de linguagem.
Ou se é a novidade de conhecer o vigor de uma história que, até então, só me tinha chegado pela diluição que a fama enseja.
Ou ainda a gozação com Petrarca: um soneto é o que basta para Romeu esquecer Rosalina e amar Julieta para sempre.
Sei que a peça se tornou minha predileta da meia dúzia. E não é estranho que eu tenha chegado aqui vindo de Roma.
Romeu e Julieta têm para com suas famílias o dever de não amar um ao outro. São jovens como Bruto, mas não sabotam o que sentem.
Entregam-se ao ímpeto da paixão, que provoca mais mortes que amores dentro de poucas horas. Piores ou melhores que Bruto?
Vence a emoção, o casal morre. Mas as famílias selam a paz.
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