Durante 7 anos, fui professor de gramática e redação.
Dava aulas particulares de gramática em casa e orientava alunos
individualmente na elaboração de textos em um colégio.
Na máxima
extensão de minhas atividades, cheguei a trabalhar com alunos que iam da
então 5a. série ao cursinho. Mas Ensino Médio e cursinho foram as
constantes.
Havia alunos
regulares, que tinham aulas semanais ou me levavam redações toda semana.
Aos poucos, desenvolvi duas formas diferentes de trabalhar com esse
público.
Os que já escreviam bem, eu ia só orientando a melhorar aqui e ali. Aos que estavam perdidos no meio do tiroteio, eu propunha recuar dois passos para depois avançar três.
Não escreviam textos completos. Começavam escrevendo pequenos recados, bilhetes, declarações, comentários. Tudo muito básico e curto, sem pensar na prova ou no Enem.
A intenção era que, gradualmente, fossem entendendo... primeiro, a frase; depois, o período; mais adiante, o parágrafo; finalmente, o texto completo. A coisa funcionava.
Tive alunos que mal sabiam juntar Tomé com Bebé. Mas eram pacientes, aceitavam o processo e iam progredindo aos poucos. Um deles, Siônio, tornou-se inesquecível.
Ele me trouxe uma das piores redações que li na vida de professor. Propus o recuo. Ele topou. E esteve comigo o ano inteiro, duas, às vezes três ou quatro vezes por semana.
Terminou escrevendo um texto legível e apresentável. Conseguiu entrar na universidade. Como prêmio pelo esforço, dei a ele minha primeira coleção de música clássica.
Mas alunos como Siônio eram a minoria.
A maioria me aparecia desesperada no fim do ano. Eram mães querendo salvar filhos da forca e filhos querendo o macete, o tema quente, o modelo da redação nota 10.
Não havia muito o que desejar a esses, além de sorte.
Ontem, Bruno Ribeiro publicou por aqui uma lista dos livros mais vendidos no Brasil em 2019. Primeiro, bateu aquela tristeza de quem sabe que escreve para parentes e amigos.
Depois, eu me lembrei dos alunos de fim de ano. E fiquei imaginando os leitores nas livrarias, pedindo o livro quente, o manual da riqueza e da felicidade, o influencer da moda.
Há muito o que dizer além de foda-se?
Os que já escreviam bem, eu ia só orientando a melhorar aqui e ali. Aos que estavam perdidos no meio do tiroteio, eu propunha recuar dois passos para depois avançar três.
Não escreviam textos completos. Começavam escrevendo pequenos recados, bilhetes, declarações, comentários. Tudo muito básico e curto, sem pensar na prova ou no Enem.
A intenção era que, gradualmente, fossem entendendo... primeiro, a frase; depois, o período; mais adiante, o parágrafo; finalmente, o texto completo. A coisa funcionava.
Tive alunos que mal sabiam juntar Tomé com Bebé. Mas eram pacientes, aceitavam o processo e iam progredindo aos poucos. Um deles, Siônio, tornou-se inesquecível.
Ele me trouxe uma das piores redações que li na vida de professor. Propus o recuo. Ele topou. E esteve comigo o ano inteiro, duas, às vezes três ou quatro vezes por semana.
Terminou escrevendo um texto legível e apresentável. Conseguiu entrar na universidade. Como prêmio pelo esforço, dei a ele minha primeira coleção de música clássica.
Mas alunos como Siônio eram a minoria.
A maioria me aparecia desesperada no fim do ano. Eram mães querendo salvar filhos da forca e filhos querendo o macete, o tema quente, o modelo da redação nota 10.
Não havia muito o que desejar a esses, além de sorte.
Ontem, Bruno Ribeiro publicou por aqui uma lista dos livros mais vendidos no Brasil em 2019. Primeiro, bateu aquela tristeza de quem sabe que escreve para parentes e amigos.
Depois, eu me lembrei dos alunos de fim de ano. E fiquei imaginando os leitores nas livrarias, pedindo o livro quente, o manual da riqueza e da felicidade, o influencer da moda.
Há muito o que dizer além de foda-se?
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