Sérgio Moro deixou o Ministério da Justiça em nome da lei e da biografia. Foi o que ele alegou. Sua biografia, entretanto, já estava irremediavelmente danificada desde, pelo menos, novembro de 18.
A princípio, considerei a Lava-Jato uma conseqüência possível do regime a que magistrados, promotores e procuradores foram submetidos a partir de 1988.
Antes disso, a estrutura do Judiciário e certas funções do Ministério Público confundiam-se com o Poder Executivo. Não raro, juízes e promotores transitavam entre a toga e a tribuna.
Com a Constituição, a autonomia de Judiciário e Ministério Público foi assegurada e as respectivas carreiras foram ou começaram a ser definitivamente apartadas da vida partidária.
Vieram os concursos, mudanças na formação dos juristas e o clamor por servidores públicos conscientes e comprometidos. Tudo isso somado prepararia o terreno para uma mudança.
E a mudança permitiria a atuação institucional de Judiciário e Ministério Público para, dentro dos limites legais e constitucionais, controlar disfunções dos outros dois Poderes.
Era minha hipótese.
É preciso fazer pesquisa para refutar ou confirmá-la. Mas já não é preciso fazê-la para questionar o desempenho pessoal de Sérgio Moro no processo histórico que a Lava-Jato trouxe.
Nem levanto sua atuação extraprocessual, ainda enquanto juiz, para fomentar as condições favoráveis na opinião pública ao desfecho de suas sentenças. Deixo isso para a pesquisa.
Levanto o momento em que ele aceitou trocar a magistratura pelo cargo de Ministro da Justiça, a convite de um presidente cuja candidatura foi favorecida por sua atuação jurisdicional.
Se tivesse sentimento republicano legítimo, Moro teria recusado o convite. Ao aceitá-lo, lançou suspeição retroativa sobra a obra e atrelou sua biografia a um projeto fascista.
Na melhor das hipóteses que sobram, o ex-ministro é exatamente aquilo de que agora o acusa Olavo de Carvalho: um bom técnico, sem cultura política, histórica e filosófica.
Assim, digo eu, faltariam a ele visão e conceito para compreender que repetiu e insuflou a dinâmica do tenentismo: sair dos tribunais, como um dia se saiu dos quartéis, para salvar o Brasil.
Na pior das hipóteses, ele não é um néscio e sabia exatamente o que pretendia desde algum momento do passado posterior à distribuição por sorteio em Curitiba.
Assim, sua atuação ficaria maculada desde antes de 2018 e seu futuro político não passaria de mais do mesmo: personalismo e salvacionismo na veia. Meu São Sebastião!
Triste e velho Brasil.
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Enquanto escrevo, o capitão testa os humores públicos e institucionais ao aventar, durante o fim de semana, duas figuras íntimas para Ministério da Justiça e Polícia Federal.
A se confirmar, teremos São Borja no Ministério e um chefe de guarda pessoal na Polícia. Neste caso, terá razão meu amigo Roberto Eduardo: nosso país voltou à rua Tonelero.
Meu São Gregório! Triste e velho Brasil.
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