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Depois da lista


Sei que o sentimento mais esperado como reação à lista de Janot é a indignação. Mas acordei feliz nesta manhã de céu nublado e vento fresco na Serra da Borborema; quero mesmo é rir.

Por sorte, conto com a História, essa dama milenar e bem humorada que, entre um genocídio e uma passeata, serve piadas e paradoxos como tira-gosto aos seus involuntários partícipes.

Vejam o caso da lista. Que Lindbergh Farias seja investigado com Fernando Collor pelo mesmo esquema de assalto à Petrobrás é de fazer rir a quem pintou a cara em 1992.

Se não for, que se ria de Renan Calheiros, que se prepara para despir a quinta capa da carreira - será gato e terá outras duas no caixa? - e rir de todos nós, do topo da lista, dizendo:

"Chamei Collor de príncipe herdeiro da corrupção, depois me uni a ele pra não perder o bonde da história; aí, denunciei o governo paralelo de PC Farias e ganhei cargo de Itamar, fui ministro de Fernando Henrique e sangrei no Senado, mas resisti com a graça do eleitor e do bom Lula."

Como eles, outros riem de nós, "cagando e andando, no bom português", como o vice-governador da Bahia. E os que se cagam literalmente já se preparam para a delação premiada...

... fazendo borrar quantos mais?

Tantos mais quantos forem os integrantes de outras listas de outros esquemas em outras estatais, secretarias e ministérios, em Brasília, nos Estados, nos Municípios, lavando a burra e rindo de nós.

Que eles riam primeiro, enquanto estão eleitos e livres para atuar.

E nós em seguida, que compramos ingresso para seus teatros baratos, erguemos a bandeira de uns contra outros, perdoamos os que nos beneficiam e nos revoltamos contra os que não nos favorecem.

Uma vez ridos, quando os de agora estiverem processados e julgados, quando os de amanhã tomarem o mesmo rumo, continuemos a rir, mas tratemos também de que país surgirá no lugar deste que treme.

Não deixemos nunca de rir, mas leiamos livros de história e de ciência política, reflitamos sobre a cultura política que nos formou e foi formada para dar vez a um país nascido da escravidão e do genocídio.

E evitemos assim as soluções obscuras e autoritárias, para colocar em seu lugar, aos trancos e barrancos, gradualmente, um país refundado na liberdade, na cidadania e nos direitos sociais.

 Imagem disponível aqui.

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