Noite dessas, durante um divertido jantar de família, um tio me contou
um conto que agora acho por bem recontar. Sem aumentar um ponto, assim
prometo.
Dizia ele que, quando
criança, ouviu um colega na escola chamar outro de fresco. Sem saber do
que se tratava, mas supondo que fosse uma forma qualquer de tratamento,
registrou a palavra no cofre.
Assim foi que, em pleno almoço, estufou o peito e, voltando-se para o irmão menor, estreou a aquisição:
- Ei, fresco, passe o arroz.
O relâmpago acendeu nas bochechas de vovó, o trovão desceu sobre a mesa no cinto de vovô, a água escorreu dos olhos do meu tio - que escapou da surra, mas não da bronca.
Mais tarde, vovó o levou para o quarto e explicou que fresco era uma coisa feia e chamar alguém disso, um insulto. Mas o que é fresco? - ele quis saber.
E ela, fazendo um sinal de metade com as mãos para encerrar o assunto, respondeu:
- É um homem assim, assim.
Anos depois, os dois recordaram a cena e vovó fez uma confissão. Ela e vovô não sabiam o que era fresco, mas sabiam que era algo a ser punido. E puniram, sem pestanejar.
Andei pensando nisso depois de uma semana recebendo convites para boicotar a Globo por causa de um beijo na boca que - palavra da frente parlamentar - vai destruir a família brasileira.
Aliás, primeiro pensei que já boicoto a televisão há anos. Depois, pensei: que merda! tanto alvoroço por uma telenovela e a literatura já trata disso há séculos sem destruir ninguém. Por fim, pensei no episódio do fresco.
Ignorar, mesmo assim punir - eis o princípio.
Porque assim nos ensinaram nossos pais e a eles, nossos avós. E quem ensinou aos avós? Um ministro religioso com um livro antigo na mão, do qual ele extrai as regras que lhe convêm, para pregar ou politicar.
Poligamia? Sai. Homossexualidade? Fica. Escravidão? Esquece. E por aí vai.
Jesus estaria de olho neles todos se vivo estivesse, dizendo-lhes: ai de vocês que vêem ciscos em outros olhos e colocam fardos nos ombros alheios; se querem me seguir, distribuam seus bens aos pobres.
Mas Jesus está morto e não dirá nada aos que beijam nem aos que escarram. Duvidam? Perguntem e vejam se ele responde. Digo-lhes eu, pois: beijem, chupem, metam, dêem, gozem.
E relaxem: é quando o amor acaba, e não quando ele se manifesta, que uma família se desfaz.
Assim foi que, em pleno almoço, estufou o peito e, voltando-se para o irmão menor, estreou a aquisição:
- Ei, fresco, passe o arroz.
O relâmpago acendeu nas bochechas de vovó, o trovão desceu sobre a mesa no cinto de vovô, a água escorreu dos olhos do meu tio - que escapou da surra, mas não da bronca.
Mais tarde, vovó o levou para o quarto e explicou que fresco era uma coisa feia e chamar alguém disso, um insulto. Mas o que é fresco? - ele quis saber.
E ela, fazendo um sinal de metade com as mãos para encerrar o assunto, respondeu:
- É um homem assim, assim.
Anos depois, os dois recordaram a cena e vovó fez uma confissão. Ela e vovô não sabiam o que era fresco, mas sabiam que era algo a ser punido. E puniram, sem pestanejar.
Andei pensando nisso depois de uma semana recebendo convites para boicotar a Globo por causa de um beijo na boca que - palavra da frente parlamentar - vai destruir a família brasileira.
Aliás, primeiro pensei que já boicoto a televisão há anos. Depois, pensei: que merda! tanto alvoroço por uma telenovela e a literatura já trata disso há séculos sem destruir ninguém. Por fim, pensei no episódio do fresco.
Ignorar, mesmo assim punir - eis o princípio.
Porque assim nos ensinaram nossos pais e a eles, nossos avós. E quem ensinou aos avós? Um ministro religioso com um livro antigo na mão, do qual ele extrai as regras que lhe convêm, para pregar ou politicar.
Poligamia? Sai. Homossexualidade? Fica. Escravidão? Esquece. E por aí vai.
Jesus estaria de olho neles todos se vivo estivesse, dizendo-lhes: ai de vocês que vêem ciscos em outros olhos e colocam fardos nos ombros alheios; se querem me seguir, distribuam seus bens aos pobres.
Mas Jesus está morto e não dirá nada aos que beijam nem aos que escarram. Duvidam? Perguntem e vejam se ele responde. Digo-lhes eu, pois: beijem, chupem, metam, dêem, gozem.
E relaxem: é quando o amor acaba, e não quando ele se manifesta, que uma família se desfaz.
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