Quando eu era menino, abriram um
clube de leitura a dois quarteirões de minha casa. Cantinho da Gente
Miúda. Foi lá que fiquei sabendo: o papo da cegonha é furado.
Preocupai-vos, pessoas de bem!
Era um livrinho que ensinava com
texto e ilustração que o pai tem um pênis, a mãe tem uma vagina e do
encontro dos dois nasce o bebê. Eu li, mostrei a minha mãe e ela, meio
embaraçada, confirmou tudinho.
Como confirmou o psicólogo a quem fui levado enquanto meus pais digladiavam. E ainda me mostrou outros livros.
Tempos depois, fui bater numa escola de freiras, onde aprendi que o mundo foi criado em seis dias, o papa é infalível em matéria de dogma e a masturbação se cura com uma carreira pela rua.
Essa lição veio do padre Vicentino, que ouvia confissões e fazia suas próprias inconfidências de quando menino. Por sinal, foi ele quem fuxicou ao professor de religião que a meninada precisava de educação sexual.
Dali a pouco, descemos pra sala de vídeo e aprendemos que o sexo faz parte da vida, a Aids está à espreita e o preservativo é o melhor escudo contra ela. Lembro bem a cena que ensinava a vesti-lo.
Comecei a ficar religioso. Por uns quatro ou cinco anos, beirei - beirei não - freqüentei o fanatismo. Foi por aí que vi o cardeal Lucas Neves dizer que a Igreja precisava falar abertamente sobre sexo com os jovens.
E fiquei revoltado. Como é que um cardeal da Igreja falava nesses termos em pleno sermão?! Assim como me revoltei com a professora de ciências que afirmou em classe que ser gay não é problema algum.
Mas do fanatismo fiquei curado antes dos vinte, graças a homens e mulheres de boa-fé. E fui compreendendo os meios da fé e da descrença, do conhecimento e da ignorância, da ingenuidade e do charlatanismo.
O que não compreendo mais é por que não fiquei degenerado nem me tornei alvo de pedofilia, apesar de tantas e tais lições. Talvez, deva perguntar a frei Domingos, que tinha uma quedinha por coroinhas.
Ou a Bolsonaro, que foi do Exército e pode até explicar por que cargas d'água a última cartilha de sexo que recebi na vida foi no quartel da Conceição, quando eu tinha 17 anos e o PT ainda não destruía o Brasil.
Tempos depois, fui bater numa escola de freiras, onde aprendi que o mundo foi criado em seis dias, o papa é infalível em matéria de dogma e a masturbação se cura com uma carreira pela rua.
Essa lição veio do padre Vicentino, que ouvia confissões e fazia suas próprias inconfidências de quando menino. Por sinal, foi ele quem fuxicou ao professor de religião que a meninada precisava de educação sexual.
Dali a pouco, descemos pra sala de vídeo e aprendemos que o sexo faz parte da vida, a Aids está à espreita e o preservativo é o melhor escudo contra ela. Lembro bem a cena que ensinava a vesti-lo.
Comecei a ficar religioso. Por uns quatro ou cinco anos, beirei - beirei não - freqüentei o fanatismo. Foi por aí que vi o cardeal Lucas Neves dizer que a Igreja precisava falar abertamente sobre sexo com os jovens.
E fiquei revoltado. Como é que um cardeal da Igreja falava nesses termos em pleno sermão?! Assim como me revoltei com a professora de ciências que afirmou em classe que ser gay não é problema algum.
Mas do fanatismo fiquei curado antes dos vinte, graças a homens e mulheres de boa-fé. E fui compreendendo os meios da fé e da descrença, do conhecimento e da ignorância, da ingenuidade e do charlatanismo.
O que não compreendo mais é por que não fiquei degenerado nem me tornei alvo de pedofilia, apesar de tantas e tais lições. Talvez, deva perguntar a frei Domingos, que tinha uma quedinha por coroinhas.
Ou a Bolsonaro, que foi do Exército e pode até explicar por que cargas d'água a última cartilha de sexo que recebi na vida foi no quartel da Conceição, quando eu tinha 17 anos e o PT ainda não destruía o Brasil.
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