Os leitores me perdoem por não dar outro pitaco neste
momento tão grave da nação. Não, nação não, que isso cheira à pilhagem
do século XIX. Neste momento tão grave do país. Melhor assim, não?
Mas tenho meus motivos; dois, pra ser exato como um mais um. O primeiro
é que também eu tenho meus ideais políticos, em nome dos quais ergueria
bandeira e marcharia para o fim dos tempos.
Mas são tão... tão... idiossincráticos - pra ter um pouco de boa
vontade comigo mesmo - que só em romance ou epopéia eles merecem ser
admitidos. Confessados, talvez seja a palavra mais pilhável.
O outro é que gastei meus últimos insultos contra a mocinha do cartão de crédito. Não que a granada, neste tipo de guerra, perca o uso depois de atirada, mas conservo lá certas vaidades de escritor.
Sem arma e armado de imaginação, calo na política, portanto. Não dou pitaco, mas tenho o pito. Qual? Ora, o que passei na mocinha do cartão de crédito. Essa história, eu lhes conto, por compensação.
Durante muito tempo, a mocinha do cartão de crédito esteve entre os meus maiores desafetos. O celular tocava, eu via o 011 na tela e o coração disparava: Luiz Schwarcz, oferecendo contrato e amizade.
Mas não. Era a mocinha do cartão de crédito, sempre ela, fazendo nova investida, em nome do patrão, contra o dinheirinho que ganho, de segunda a sexta, em detrimento de sanidade e sossego.
Primeiro bravo, depois desenganado, engolia a fúria, suspirava resignado e dispensava gentilmente os serviços. Mas a insensibilidade da mocinha com meu drama era tamanha, que fui mudando a estratégia.
Eu puxava conversa, comentava o clima, reclamava do governo, convidava à ópera e, quando não tive mais o que fazer pra convencê-la a desistir de mim, admiti ser estelionatário caçado pela Interpol.
Deu certo. A mocinha parou de me ligar. O problema é que o amor está na raiz da inimizade e, dali a poucas semanas, eu já sentia falta dela, do sorriso ao tocar na ópera, da companhia por cinco minutos.
Assim é que me alegrei e exultei quando, semana passada, o 011 voltou a brilhar na minha vida e a vozinha de quem oferta cartão de crédito voltou a ribombar no meu tímpano. Saí do face e atendi.
- Senhor Thiago?
- Coxinha!
- Como, senhor?
- PeTralha!
Ela desligou o telefone.
E eu, sem entender por que causa, razão, motivo ou circunstância não comandei a língua a dizer as palavrinhas ridículas que estavam planejadas, agendei sessão extraordinária com o psicanalista.
O outro é que gastei meus últimos insultos contra a mocinha do cartão de crédito. Não que a granada, neste tipo de guerra, perca o uso depois de atirada, mas conservo lá certas vaidades de escritor.
Sem arma e armado de imaginação, calo na política, portanto. Não dou pitaco, mas tenho o pito. Qual? Ora, o que passei na mocinha do cartão de crédito. Essa história, eu lhes conto, por compensação.
Durante muito tempo, a mocinha do cartão de crédito esteve entre os meus maiores desafetos. O celular tocava, eu via o 011 na tela e o coração disparava: Luiz Schwarcz, oferecendo contrato e amizade.
Mas não. Era a mocinha do cartão de crédito, sempre ela, fazendo nova investida, em nome do patrão, contra o dinheirinho que ganho, de segunda a sexta, em detrimento de sanidade e sossego.
Primeiro bravo, depois desenganado, engolia a fúria, suspirava resignado e dispensava gentilmente os serviços. Mas a insensibilidade da mocinha com meu drama era tamanha, que fui mudando a estratégia.
Eu puxava conversa, comentava o clima, reclamava do governo, convidava à ópera e, quando não tive mais o que fazer pra convencê-la a desistir de mim, admiti ser estelionatário caçado pela Interpol.
Deu certo. A mocinha parou de me ligar. O problema é que o amor está na raiz da inimizade e, dali a poucas semanas, eu já sentia falta dela, do sorriso ao tocar na ópera, da companhia por cinco minutos.
Assim é que me alegrei e exultei quando, semana passada, o 011 voltou a brilhar na minha vida e a vozinha de quem oferta cartão de crédito voltou a ribombar no meu tímpano. Saí do face e atendi.
- Senhor Thiago?
- Coxinha!
- Como, senhor?
- PeTralha!
Ela desligou o telefone.
E eu, sem entender por que causa, razão, motivo ou circunstância não comandei a língua a dizer as palavrinhas ridículas que estavam planejadas, agendei sessão extraordinária com o psicanalista.

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