Se a justiça fosse mero silogismo, o mundo
inteiro iria às urnas depois de amanhã para escolher quem vai ocupar os
jardins da Casa Branca e os quintais alheios pelos próximos quatro
anos.
Em uma democracia, diríamos nesse silogismo, o poder é
exercido por representantes de quem a ele se submete, o mundo inteiro
está submetido à marinha de guerra de Washington; logo...
Mas a justiça é um produto precário e simbólico de conflitos, acordos e
traições; não se arranca facilmente de quem tem o poder, nem se
conquista por meio de qualquer trocadilho barato.
Não
escolheremos, pois, entre elefantes e burros, mesmo que nossas empadas e
coxinhas sejam devassáveis pela Agência de Segurança Nacional e estejam
ao alcance do Comando Militar Sul.
Seria, entretanto, um
exercício de divagação histórica (daqueles pouco recomendáveis e muito
deliciosos) imaginar como seria se o planeta inteiro fosse sacolejado
por um hiper Édito de Caracala.
Já escuto a pergunta de João
Matias: "e se assim fosse hoje, em quem você votaria na terça?" Votaria
contra Trump, certamente; mas sem perder a oportunidade pra fazer um
comentário curtinho.
A primeira atividade política de Mrs.
Clinton se deu quando ela ainda era Hillary Rodham e militou em prol da
candidatura republicana de Barry Goldwater, tido como conservador
radical.
Em 1964, Goldwater queria fortalecer a presença militar
dos Estados Unidos no planeta e desmontar os já parcos programas sociais
do governo, tal como seu colega Donald, em 2016.
O mesmo Donald
cuja fortuna familiar engordou graças a negócios imobiliários para a
população de baixa renda - com subsídio público. Estaria ele disposto a
rever lucros ou conceitos?
A justiça não é um silogismo, eu
dizia. E completo ao fim: nem a política, uma linha reta. Mudam-se as
convicções ou se encobrem as contradições com a facilidade de um breve
floreio lingüístico.
E é por isso que ando sempre repetindo a mim
mesmo, quando as palavras de ordem fritam os ânimos, que a única forma
de não sucumbir ao canto da sereia é mergulhar os ouvidos na torneira.
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