Dia desses, um convite de casamento me fez tirar o paletó do armário. O mofo reinava de tal modo que foi preciso levar os panos para a lavagem antes mesmo de suá-los na igreja.
Dezesseis anos arrastando correntes no mundo forense e até agora consegui a proeza de não assar no forno de nossa terra, para lá de tropical, embalado em paletó e gravata. Ufa!
No começo do século, fui ao fórum de Campina Grande para protocolar uma
petição como estagiário da Defensoria Pública. Um colega me viu lá em
mangas de camisa e disse:
- Ei, isso não é traje para o ambiente.
Eu o vi sufocado pela insensatez de um paletó a trinta graus e perguntei se aquilo era o ultraje ao Ambiente. Mas, voltemos ao casório, que é de lá que vem a crônica de hoje.
Quando veio o dia da festa, eu percebi que o mofo tinha ido além dos panos; estava em mim, que não sabia mais como me meter naquela indumentária de defunto bem comportado.
Vesti a calça, ensaquei a camisa e, na gravata, deu um nó. Um pra cá, outro pra lá e nada de nó. O suor já ia banhando o colarinho quando me lembrei do oráculo. Fui ao Google.
Um pra cá, outro por trás, volta completa e pronto: estava dado o nó Windsor. Sim, se é pra vestir a mortalha, que seja com nó Windsor, lencinho no bolso e Oxford na cãibra dos pés.
Alguém aí pensou em contradição? Pensou bem. Mas sou um homem de contradições assumidas. Pois bem. Pacote feito, rumei para a igreja. O atraso da noiva nem começara.
Fiquei ali, espiando tudo. Homens convencidamente metidos em paletós, crianças nem aí para suas vestes, mulheres de leque e vestidos de dar inveja no sovaco. Oh, costumes...
Foi então que me perguntei onde estão @s estilistas, que dormiram no ponto e ainda não deram aos homens sua rebelião do espartilho. Que é da nossa Coco Chanel?
É preciso encontrá-la e comissioná-la para nos dar algo como kilt e colete, que nos areje as partes pudendas e nos liberte os ombros do peso fálico de um paletó. Mais que isso.
Já que estamos em crise, matemos dois coelhos numa só cajadada e ofereçamos a presidência da República a quem tiver a lucidez de nos despir para nossas manhãs de sol.
- Ei, isso não é traje para o ambiente.
Eu o vi sufocado pela insensatez de um paletó a trinta graus e perguntei se aquilo era o ultraje ao Ambiente. Mas, voltemos ao casório, que é de lá que vem a crônica de hoje.
Quando veio o dia da festa, eu percebi que o mofo tinha ido além dos panos; estava em mim, que não sabia mais como me meter naquela indumentária de defunto bem comportado.
Vesti a calça, ensaquei a camisa e, na gravata, deu um nó. Um pra cá, outro pra lá e nada de nó. O suor já ia banhando o colarinho quando me lembrei do oráculo. Fui ao Google.
Um pra cá, outro por trás, volta completa e pronto: estava dado o nó Windsor. Sim, se é pra vestir a mortalha, que seja com nó Windsor, lencinho no bolso e Oxford na cãibra dos pés.
Alguém aí pensou em contradição? Pensou bem. Mas sou um homem de contradições assumidas. Pois bem. Pacote feito, rumei para a igreja. O atraso da noiva nem começara.
Fiquei ali, espiando tudo. Homens convencidamente metidos em paletós, crianças nem aí para suas vestes, mulheres de leque e vestidos de dar inveja no sovaco. Oh, costumes...
Foi então que me perguntei onde estão @s estilistas, que dormiram no ponto e ainda não deram aos homens sua rebelião do espartilho. Que é da nossa Coco Chanel?
É preciso encontrá-la e comissioná-la para nos dar algo como kilt e colete, que nos areje as partes pudendas e nos liberte os ombros do peso fálico de um paletó. Mais que isso.
Já que estamos em crise, matemos dois coelhos numa só cajadada e ofereçamos a presidência da República a quem tiver a lucidez de nos despir para nossas manhãs de sol.
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