A coisa mais entristecedora do mundo, depois de uma live de Roberto Carlos e da musiquinha que toca em Chaves quando todos partem pra Acapulco e ele fica sozinho, é o saxofone.
Teve razão Lygia Fagundes Telles quando pôs um saxofone nas mãos do seu personagem, digamos, mais esperto. Com que outro instrumento ele poderia fazer brochar o rival?
Uma velha amiga costuma dizer que nada dá mais toque de classe a uma festa que - o saxofone. Já tentei por todos os meios sentir essa revelação, mas tudo o que sinto é danação.
Estou lá, lépido e fagueiro, entre taças e petiscos, quando o saxofone invade o salão, como Lampião a Sousa dos anos 20. Vai-se a alegria, ficam os dedos nervosos sobre a mesa.
Que me perdoem Ivanildo do Sax, Homer Simpson e Bill Clinton, mas sua arte nada mais fez, até aqui, que aumentar os lucros de psiquiatras e fabricantes de antidepressivos.
Vá lá um tristofone na orquestra. Entra o fagote no primeiro compasso, vêm as flautas no segundo, soam os violinos, ribombam os tímpanos - e ninguém dá pelo infeliz do sax.
Mas um diabo desses, sozinho, na sala de casa, na praça de alimentação do shopping ou - agora, sim, amig@s, chegamos ao ponto - na rua, no quarteirão, no bairro, sábados adentro.
Meu Jesus Cristinho!
O fato é esse. Desde o princípio da quarentena, uma alma caridosa resolveu alegrar os fins de tarde e os começos de noite de Prata e Bela Vista com um solo interminável de sax.
Tudo bem, tudo bem. A boa alma nada mais pretende que amenizar a solidão dos quarentenados. Mas, de boas intenções, os infernos deste mundo dos vivos estão cheios.
Os jesuítas só queriam salvar os índios e os padres dominicanos seriam incapazes de queimar um judeu, uma mulher ou um herege não fosse para levá-los ao Paraíso.
Portanto, meu bom, minha boa saxofonista, grato, muito grato, gratíssimo. Mas de tristeza estou farto. Guarde o sax para uma live, quem sabe, logo depois de Roberto Carlos.
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