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Diga a eles que sejam menos rudes


(Ou: recado aos ladrões de Campina Grande, da Paraíba, do Brasil)

Dias desses, descendo a Rue Saint-Urbain a caminho da Sainte-Catherine, topei com uma das muitas figuras que fazem Montréal bater Toronto em matéria de - por que não armar a barraca aqui? 

"Muito feio para a prostituição. Esmola, por favor." - lia-se no cartaz ao lado da caneca em que o rapaz, certamente no vigor dos seus trinta e poucos anos, esperava ganhar o pão do dia.

Cheguei perto, pedi licença, soltei a língua. Que ele estava pessimista: barba feita, perfume passado e roupas bacanas no corpo malhado, poderia viver com menos dureza e mais prazer.

E ele, na bucha: mas aí teria que mudar o texto para 'muito cristão para a prostituição etc. e tal' e me pediu ele a licença, que eu estava lhe atrapalhando o negócio. Pardon, Pardon! Ça va.

Aí é que tá. Em Toronto, os mendigos são menos artistas e mais operadores de telemarketing. Ontem mesmo, falei com um em Dundas Square, no cair de uma tarde danada de sei-que-lá-de-triste.

Cadeira de rodas motorizada, voz suave, bons modos e a frase de carimbo: com licença, senhor, perdão por incomodá-lo, mas o senhor poderia me ajudar com algumas moedas para o jantar. 

Desculpei-me e disse que, com minha mente de brasileiro assustado, não costumo andar com dinheiro no bolso. Assustou-se ele, e ainda mais quando lhe dei o motivo: ladrões.

Muitos? E perigosos? - quis saber. Sim, sim. Hoje mesmo, eu lhe fiz saber, alguns decidiram comemorar o aniversário da minha cidade com tiroteio e arrastão. E foi pânico pra todo WhatsLado.

- Oh, diga a eles que sejam menos rudes. Violência não é boa para negócio algum.

Descobri uma Elizabeth no bolso, dei-lhe em pagamento pelo conselho para os outros (algum bandido aí pra espalhar a história?) e saí por Yonge Street abaixo, acolá com meus botões.

A população já fizemos nossa parte, gradeando casas e corações. O Estado também fez a dele, removendo polícia e lei do caminho. Que lhe custa agora, seu ladrão, ser um pouco gentil?

*



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