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Pelo menos é bonito



O Primeiro-ministro solicitou e o Governador-geral dissolveu o Parlamento em nome de Sua Majestade a Rainha da Inglaterra. Eleições em outubro, debates em curso e um escândalo nos jornais.

Dois anos atrás, o Senador Mike Duffy foi descoberto recebendo auxílio-moradia para desempenhar o mandato na capital quando, na verdade, tinha casa própria em Ottawa. Teve que devolver o dinheiro.

Mas, como não tinha recursos, quem pagou a conta foi Nigel Wright. Rapaz rico e generoso, Mr. Wright era Chefe de Gabinete do Primeiro-ministro e, sem contar nada ao patrão, tirou a grana do bolso.

Bagatela: 90 mil dólares canadenses.

A operação foi descoberta, Mr. Wright caiu porque o dinheiro não fora declarado e Mr. Duffy foi processado por fraude aos cofres públicos. O processo ainda corre na Justiça e chegou a hora dos depoimentos.

Mr. Wright invocou os Santos Evangelhos para justificar seu ato de caridade, admitiu que pagou contas semelhantes de muito mais gente na alta roda da Capital e garantiu: o chefe não sabia de nada.

Mas os jornais não deixam o Primeiro-ministro em paz e querem saber: não era ele o líder da oposição que, dez anos atrás, afirmou ser impossível o então chefe de governo não saber do escândalo da vez?

Mas ali eram milhões e havia dinheiro público envolvido - responde Stephen Harper, assertivo.

Assertividade. Eis a qualidade de Mr. Harper que Victor invoca para aprovar seu governo quando lhe pergunto qual partido apoiará em outubro. Mesmo assim, não pretende votar.

- Nem os canadenses natos gostam disso. - justifica.

Beliscando o arroz no prato, Jina não diz nada. Entendo que eles não gostam de falar de política e mudo o assunto. Como uma criança aprendendo a falar, pergunto tudo sobre tudo, mesmo que desnecessário. 

De repente, Jina acaba o jantar, passa o guardanapo na boca e diz:

- Mas talvez eu vá votar. Em Mr. Harper. Pelo menos é bonito.

*

 O Primeiro-ministro Stephen Harper.

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