Não sei quem foi Frances, mas sei que
em junho de 1934 ganhou de R.G. uma antologia dos ensaios de Emerson e
não deixou no livro pista alguma do que, muito menos de como leu.
Também não faço a menor idéia de quem foi Susan L. Kobel, mas sei que
comprou o livro que um dia foi de Frances e não perdeu tempo em demarcar
território com um senhor Ex Libris.
Digo 'sei que comprou', mas deveria dizer que suponho, assim como
suponho que Susan obteve o livro depois de Frances; e vocês me digam por
favor se estou viajando além da conta.
Suponham comigo.
R.G. foi alguém que privou o suficiente da intimidade de Frances para ir direto ao ponto (To Frances – June 1934) e não perder tempo com torneios como nome completo, best wishes and kisses.
Se o presente não foi de Natal, há de ter sido de aniversário, formatura, ou viagem - não sei. Mas aposto os dois olhos da cara que Frances foi a primeira dona. E aqui chegamos à suposição.
R.G. não teria dado de presente um livro usado, se não-raro; acima de tudo, com sinal de propriedade que ocupa quase toda a parte interna da capa - o Ex Libris de Susan. Alguém protesta?
Ah, sim, você que, como eu, tem uma quedinha por livros usados com dedicatória e data mais velha que a idade de pelo menos dois avós. Se de ensaios então, uma pérola para a coleção!
Mas me responda uma coisa: por que um Ex Libris tão contundente, senão pela vontade de dizer à posteridade que "comprei, é meu e você, Frances, ficou pra trás com seu R.G."?
"Mas tudo isso não é exatamente o contrário do que você fez?" - dois ou três de vocês estão me lançando essa pergunta, aposto. Tudo bem, rendo-me sem condições e em ruidoso silêncio.
Porque não cala dentro de mim o ultimato de Manfred Meurer, o velhinho retorcido e lenhoso que responde pelo sebo onde me abriguei da chuva em Stratford e terminei descobrindo o volume.
Quando lhe estendi uma Elizabeth para pagar a conta, falei da satisfação de encontrar tal preciosidade e dos planos de um dia ser dono de uma livraria como a Book Stage. Ele não sorriu.
Fustigou-me com um dos galhos e grunhiu:
- Escute aqui, garoto, quem não está quebrando, está vendendo. Se quiser, pode comprar esta aqui.
Suponham comigo.
R.G. foi alguém que privou o suficiente da intimidade de Frances para ir direto ao ponto (To Frances – June 1934) e não perder tempo com torneios como nome completo, best wishes and kisses.
Se o presente não foi de Natal, há de ter sido de aniversário, formatura, ou viagem - não sei. Mas aposto os dois olhos da cara que Frances foi a primeira dona. E aqui chegamos à suposição.
R.G. não teria dado de presente um livro usado, se não-raro; acima de tudo, com sinal de propriedade que ocupa quase toda a parte interna da capa - o Ex Libris de Susan. Alguém protesta?
Ah, sim, você que, como eu, tem uma quedinha por livros usados com dedicatória e data mais velha que a idade de pelo menos dois avós. Se de ensaios então, uma pérola para a coleção!
Mas me responda uma coisa: por que um Ex Libris tão contundente, senão pela vontade de dizer à posteridade que "comprei, é meu e você, Frances, ficou pra trás com seu R.G."?
"Mas tudo isso não é exatamente o contrário do que você fez?" - dois ou três de vocês estão me lançando essa pergunta, aposto. Tudo bem, rendo-me sem condições e em ruidoso silêncio.
Porque não cala dentro de mim o ultimato de Manfred Meurer, o velhinho retorcido e lenhoso que responde pelo sebo onde me abriguei da chuva em Stratford e terminei descobrindo o volume.
Quando lhe estendi uma Elizabeth para pagar a conta, falei da satisfação de encontrar tal preciosidade e dos planos de um dia ser dono de uma livraria como a Book Stage. Ele não sorriu.
Fustigou-me com um dos galhos e grunhiu:
- Escute aqui, garoto, quem não está quebrando, está vendendo. Se quiser, pode comprar esta aqui.
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