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Décimo oitavo dia

Em razão do estado de calamidade e dos decretos que suspenderam o funcionamento regular do comércio, anunciamos a todos o encerramento das nossas atividades.

Mais cedo ou mais tarde, fulminado pela pandemia ou pela teia de aranha, o Correio da Paraíba terminaria tendo o mesmo fim de O Norte, Diário da Borborema e Jornal da Paraíba.

Foi com as palavras acima, porém, que o Correio anunciou a última edição. Li o comunicado e viajei a 2001. O século começava e eu, ingressando na faculdade, queria ser escritor.

Volta e meia, rabiscava uma crônica, fazia duas cópias e, ao sair do velho Anita Cabral, passava pelas redações do Correio, na Vidal de Negreiros, e do JP, na Juvino do Ó.

Nunca me publicaram, mas, às vezes, não sei se num gesto de piedade ou tortura, os editores me admitiam lá dentro e deixavam respirar, por um minutinho, a redação de jornal.

Já formado e trabalhando - em desvio de função do espírito - em um tribunal, tentei pela última vez publicar no Correio. Mandaram falar com o setor de anunciantes. Se pagar, sai.

Não paguei.

Facebook e Instagram terminaram me dando a coluna de jornal que tentei ter e jamais consegui. Se o passado não me deu prensa e prelo, o futuro me acolheu com bits and bytes.

Há nisso certo sabor de triunfo. Mas, hoje, morreu mais um jornal. E, quando isso acontece, sinto fechar-se outra porta para um ideal desbotado. Há nisso alguma tristeza.

Quando a noite caiu, entrei no carro e quebrei a regra. Pela primeira vez em duas semanas, rompi o limite do bairro. Cortei a cidade até chegar à boca da BR e voltei pra casa.

Vinha com o coração serenado quando, descendo a ladeira do Municipal, parei ao sinal. Então, uma, duas, três motos passaram, cortando o vermelho e desafiando duas buzinas.

Eram entregadores de aplicativo, fardos verdes sobre as costas, em uma disparada fatal para o século XXI.

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