O domingo foi de cidadãos CBF, numa mistura medonha de Padre-Nosso com AI-5, pedindo golpe militar. Ainda é um delírio, mas tem a liderança da J. M. Bolsonaro & Filhos Ltda.
Isolado da política, da ciência e do bom senso, o presidente não tem nada a fazer senão continuar sendo o que sempre foi: um agitador de meia-tigela, municiado de retórica fascista.
Por enquanto, podemos dormir tensos, mas não desesperados: Congresso, Judiciário, imprensa e senhores do PIB recuaram da onda que desaguou no bolsonarismo.
Mas ela fermenta em praça pública e faz estragos a olhos vistos em setores da Administração como Educação, Ciência e Cultura - não à toa, os que lidam com o poder simbólico.
Sem nenhuma liderança de oposição firmemente estabelecida no cenário, à esquerda ou à direita, para daqui até 2022, Jair Bolsonaro ainda reina sozinho - e é aí que mora o perigo.
Passada a pandemia e controlados seus efeitos econômicos, se a aliança de Guedes com Rodrigo Maia continuar produzindo reformas, os senhores do PIB irão às urnas saciados.
Os que agora recuam, a não mudar o cenário à direita, podem muito bem se realinhar ao presidente, sobretudo se a alternativa à esquerda não lhes parecer muito digerível.
Além disso, o presidente e seus comparsas continuam sendo os únicos atores políticos a fazer uso bem sucedido das redes sociais para promover suas causas e derrotar os adversários.
Enfim, acuado e fiador de uma postura de alto risco no enfrentamento da pandemia, Jair Bolsonaro fala para a platéia delirante, mas ainda não tem concorrentes de peso no palco.
Nesse passo, só a tragédia sanitária e econômica deteria o presidente. Mas não é isso que desejamos. Precisamos de um nome que saiba comunicar um projeto democrático. Pra ontem.
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